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Opinião: Filho perde a confiança em pais que não sabem envelhecer


Uma das notícias mais lidas semana passada aqui no G1 foi da mãe, Janet, 50 anos, que fez muitas cirurgias plásticas, transformou o cabelo e o guarda roupa para se parecer com a filha, Jane, 22 . Alguns chegam a considerar o feito um sucesso, pois, de tão parecidas, poderiam passar por gêmeas. Apesar da semelhança, não chega a tanto. Ao ver as fotos, pode-se confundir a mãe (que parece ser a mais nova) como sendo a filha.

Esta informação está na seção Planeta Bizarro. Lá, surgem notícias que parecem estranhas, fora do normal. Como essa. É incomum alguém deixar tão explícito assim o desejo de se parecer com a sua própria filha.

Hoje em dia, envelhecer tem sido negado pela maioria das pessoas. A busca pela aparência juvenil tornou-se um objetivo para muitos. É só observar o quanto as pessoas têm realizado cirurgias plásticas (Janet gastou mais de 30 mil reais) e outras intervenções estéticas no intuito de se parecer mais jovem e, quem sabe, congelar o tempo.

O que essa situação deixa explícita, até pela própria justificativa de Janet, é a inveja que tinha da aparência da filha. Inveja de algo que ela não tinha mais, sua juventude e frescor. A própria Janet diz: “Ela (a filha) puxou a aparência de mim, mas essas minhas caraterísticas foram desaparecendo com o tempo.”

O tema da inveja da mãe pela filha foi central num dos contos de fadas mais conhecidos: Branca de Neve. Nele, a madrasta da heroína, simbolizando a mãe má, não suportando a beleza juvenil de sua filha, ordena que a garota seja sacrificada. Ao destrui-la, não teria que se dar conta de sua própria finitude. Quando nossos filhos crescem e se tornam jovens adultos, temos a certeza de que o tempo está passando e que estamos envelhecendo.

Janet tomou o rumo diferente com os avanços tecnológicos de hoje. Em vez de eliminar a filha, tornou-se fisicamente parecida com ela. Segundo sua filha, elas nunca foram tão amigas quanto agora.

Comportamento

Não é só na aparência que vemos os pais buscarem a juventude perdida. Buscam-na de várias formas, como através de determinados comportamentos, como o modo de se vestir ou de se comportar. Têm adolescentes que temem quando os pais vão às suas escolas, pois se envergonham da maneira como se vestem. Imitam a vestimenta adolescente e, às vezes, beiram a vulgaridade.

Há pais que chegam ao extremo de fazer parte da turminha do filho, tornando-se um garotão. Invadem o espaço deles tentando “roubar” seus amigos. Ou, então, naquela de querer ser liberal e moderno, compartilham drogas ilícitas com eles.

Nessa de não permitirem a passagem do tempo, perdem-se em seu papel: deixam de serem pais para serem amiguinhos. Claro que os pais podem e devem ser amigos dos filhos. Mas jamais devem se esquecer que são seus pais. E uma das coisas que define essa relação é justamente a diferença de idade e, consequentemente, a experiência de vida.

Amiguinhos, eles têm aos montes. Que também têm um papel importante em suas vidas. Pai e mãe, figuras de confiança, para orientá-los e ajudá-los a se desenvolver e enfrentar a vida, não. É melhor não tirarmos isso deles.
Não precisamos invejar a juventude de nossos filhos, ou o frescor de sua beleza. Eles é que devem ficar atentos à nossa experiência e sabedoria.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)
Publicado pelo Portal G1
23/04/09 - 08h00

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